Essa semana fiz uma das festinhas solitárias noturnas que eu frequentemente faço. Vinho tinto, cookies de okara e coco, penumbra, minhas velas, incenso de morango, Chelsea Wolfe tocando e as doguinhas como companhia. ❤ Também tentei fazer desenho digital pela primeira vez por um aplicativo chamado Painter (no celular mesmo e com uma caneta digital caseira) e descobri que isso pode ser mais difícil do que qualquer outro tipo de desenho que eu já fiz. Não concluí e estou bem desanimada para continuar por enquanto, infelizmente. Virei duas noites nervosa vendo os vídeos enormes de maquiagem da Karen Bachini enquanto devorava um bolo de chocolate com muita calda compulsivamente. Ver vídeo de maquiagem é meio terapêutico pra mim, ainda não descobri o porquê. Além de ver vídeos de maquiagem também fiz uma maquiagem vermelha essa semana. Assisti aos filmes de terror em sala virtual e com amigos virtuais que ando assistindo diariamente desde o final de março ( alguns vão estar na postagem de melhores filmes do mês): Corrente do Mal, O Albergue I, O Albergue II, Temos Vagas, Você é o Próximo, O Ritual, A Última Casa à Esquerda e O Exorcista.
No início dessa semana comecei a explorar de verdade a playlist de contos e audiolivros que criei no Youtube depois de me dar conta de que esse (audiolivro) era um formato que eu nunca havia experimentado até pouco tempo. Comecei por um resumo de Romeu e Julieta do canal Casca de Noz Audiolivros e terminei conhecendo um dos contos mais famosos do Machado de Assis, O Espelho, por influência de um projeto chamado 1ª Semana da Literatura Brasileira que acompanhei pela internet no início do mês (todo o apreço das meninas pelo Machado me fez perceber que por muito tempo eu ignorei a literatura clássica brasileira e li só livro estrangeiro traduzido e isso é bem ruim mesmo). Coincidentemente encontrei muitos canais de contos quando eu estava curiosa pelo Machado, então resolvi unir as duas coisas e ouvir O Espelho antes de pegar Machado pra ler mesmo, em vez de ouvir.
Pra ser sincera eu tenho Dom Casmurro aqui em casa e comecei a leitura uns anos atrás, mas nunca terminei. Ter lido o pouco que eu li me deixou a impressão de que Machado é sempre sinônimo de texto maçante e pesado, mas esse conto mudou minha concepção, e eu tenho certeza de que o fato de eu ter ouvido não influenciou em quase nada nessa mudança. Logo que eu puder vou pegar o conto escrito pra confirmar isso. O Espelho - Esboço de uma nova teoria da alma humana (1882) é uma crítica bem sutil à sociedade de aparências. Bom pra ouvir deitada, com alguma vela e um incenso, como eu sempre faço quando ouço mini documentários de criminologia/true crime pelo Youtube. ❤
"Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para entro... Espantem-se à vontade, podem ficar de boca aberta, dar de ombros, tudo; não admito réplica. Se me replicarem, acabo o charuto e vou dormir. A alma exterior pode ser um espírito, um fluido, um homem, muitos homens, um objeto, uma operação. Há casos, por exemplo, em que um simples botão de camisa é a alma exterior de uma pessoa; - e assim também a polca, o voltarete, um livro, uma máquina, um par de botas, uma cavatina, um tambor, etc. Está claro que o ofício dessa segunda alma é transmitir a vida, como a primeira; as duas completam o homem, que é, metafisicamente falando, uma laranja. Quem perde uma das metades, perde naturalmente metade da existência; e casos há, não raros, em que a perda da alma exterior implica a da existência inteira."
Audiolivro de O Espelho a seguir e PDF do conto para baixar aqui.
Essa semana também terminei de ler O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares. Me senti motivada a voltar a ler ele (outra leitura que abandonei, dessa vez em 2016) depois de visitar de novo o Blog da Moth Mouth, meu favorito desde que conheço a blogosfera (é uma pena que ela tenha parado de escrever), e também o blog que me apresentou a esse livro em 2014 através dessa postagem. Com certeza vou trazer uma postagem especial só para esse livro (e para adaptação no cinema). Ele é lindo esteticamente e me traz uma nostalgia enorme pelas fotografias antigas. Foi muito gostoso ler. Ocupou toda minha atenção em um momento que eu precisava muito da leitura (na minha cidade está acontecendo lockdown e também estávamos todos sem internet por três dias. Aposto que muita gente pirou de verdade com essa combinação infeliz hahaha).
Depois de terminar esse livro me peguei com saudades de consumir algo bem bobo, sem trama muito complicada, só pra passar o tempo, então voltei a assistir a RuPaul's Drag Race e passei muita raiva com a segunda temporada, principalmente com a vencedora. É muita síndrome de Regina George pra uma temporada só, vamos combinar! Torci para a Jujubee, odiei o hate desnecessário sobre a Tatianna e tive certeza de que se a personalidade da Raven não fosse tão ácida eu torceria pra ela só pela beleza (melhor maquiadora da temporada e melhor estilo).






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