domingo, 10 de maio de 2020

Meu interesse em filmes no isolamento social e meu hábito de leitura

Ficar mais em casa está me dando a oportunidade de continuar tentando recuperar o meu hábito de leitura. Tenho quase certeza de que li muito mais dos doze aos quinze anos do que li nos últimos cinco anos. Ano passado me esforcei um pouco mais, mas pelo que eu conto não passei de dez livros (a maioria bem curtos, mas em compensação com linguagem mais desafiadora, como os de teoria política anarquista do Pierre-Joseph Proudhon). Esse ano comecei com A História da Bruxaria, Quando a Noite Cai (por nostalgia e saudades da minha autora favorita da pré-adolescência, a Carina Rissi) e consegui demorar dois meses pra ler Drácula (eu tô muito desacostumada, socorro). 
Ter começado Drácula me fez lembrar que eu sempre estive bem mais distante da arte e da cultura gótica e de terror (em todos os sentidos: literatura, cinema, tudo) do que eu gostaria. Do ano passado para trás eu só não era uma pessoa que assistia a filmes. Eu me apeguei a uns cinco ou seis e ficava repetindo os mesmos sem parar de tempos em tempos. Eu não tinha nenhum serviço de streaming até o ano passado, até hoje não sei baixar Torrent e depois de passar uma raiva desgraçada procurando filme em páginas online aleatórias  daquelas irritantes que se mantêm de propaganda e te redirecionam pra quinhentas páginas do nada sem você ter solicitado  achei que tinha desistido disso de uma vez. Mas no início desse ano me veio do nada uma lembrança do primeiro filme de terror que assisti com os amigos da minha antiga cidade. Então eu arrumei um jeito de reassistir  àquela refilmagem de A Morte do Demônio de 2013 e acho que a partir daí me empolguei, porque um ano atrás eu nunca poderia me ver como alguém que assiste a pelo menos um filme por dia, como acabei concluindo esse mês de abril. 
Então eu vi a franquia inteira do Brinquedo Assassino, que minha prima me contava com o maior horror do mundo na minha infância e no final acabei achando os primeiros filmes bem fraquinhos. Mas gostei de verdade de O Culto de Chucky (2017), que aparentemente todo mundo na internet odiou, e isso me deixou pensando se eu tenho mau gosto haha. É que qualquer coisa com o mínimo apelo psicológico me deixa fascinada demais, então não tinha mesmo como eu odiar. Outro clássico com apelo psicológico que me agradou demais foi Psicose (1960). Finalmente entendi a cena da banheira da qual os horror lovers tanto falam e o plot do final com toda a explicação da lógica na mente do Norman é impecável, sem tirar nem pôr. Assisti aos três filmes da Centopeia Humana e não entendi todo o auê sobre eles. Tem filmes muito piores. Fiquei indiferente a O Bebê de Rosemary (1969), amei a Divine em Pink Flamingos  (1972) (e inclusive fiz uma maquiagem baseada na dela. Rupaul teria ficado orgulhosa de mim, certeza, hehe) porque os trejeitos e a aparência dela me remetem muito à Anna-Varney Cantodea do Sopor Aeternus. Encontrei os dois filmes que eu me lembrava de ter assistido anos atrás e gostado muito mas não lembrava os nomes (Filha das Sombras e A Casa Silenciosa), reassisti àquela trindade dos filmes de terror infantil que me davam medo na infância, Coraline, A Noiva Cadáver e A Casa Monstro). 
Descobri que cinema em preto e branco não me deixa mais com sono depois de rever Nosferatu (1922) (e também depois de Psicose e alguns episódios da série original de A Família Addams de 1964), e dessa vez entender de fato a história porque eu finalmente li Drácula (aliás, que grande sacanagem aquela história da briga pelos direitos autorais da história entre a viúva do Bram Stoker e os caras que produziram Nosferatu. Conde Orlok foi despretensiosamente a primeira representação do Drácula no cinema a contragosto da mulher. Uma verdadeira treta hehe). Não só não me deixa mais com sono como eu sinto que vai ser um dos meus interesses nesse empenho todo de assistir aos clássicos cada vez mais antigos (dá uma olhada no instagram @cantodosclassicos e no site deles e me conta se não dá de repente uma curiosidade de conhecer mais sobre a história do cinema, os movimentos cinematográficos, etc?). Enfim, no meio dessa coisa toda de correr atrás de filmes sozinha sem experiência nenhuma nessa parte da internet, acabei encontrando pessoas incríveis em um grupo de terror no Whatsapp e agora assistimos a pelo menos um filme de terror todas as noites. Espero que o meu interesse em filmes e o esforço para voltar a ler não vá embora com a rotina depois que o período de isolamento social acabar.

OBS: pode ser que eu faça postagens separadas para algumas das coisas que eu citei. Vou linkando os textos nessa postagem assim que eles estiverem prontos. 

Um comentário:

  1. Oi Ju, olha só quem veio estrear teus comentários? Euzinhah. Então, primeiramente quero dizer que teu blog tá maravilhosooooh. Segundamente, primeiramente. As tuas fotos ali então? Hinoh, amo bloguíneos com fotos autorais.
    Agora sobre o post, quando tu disse ali: “É que qualquer coisa com o mínimo apelo psicológico me deixa fascinada demais, então não tinha mesmo como eu odiar”, eu senti isso. Não tem nada que prenda mais minha atenção do que coisas que apelam para o psicológico, eu fico tão vidrada nisso que Tyr do céu, me 'aguda'. Amei saber que nós do grupíneo estamos te ajudando a colocar teu amor por filmes e horror stuff em dia, é sempre bom ver algo com vocês lá. E mais uma vez, ahazôh viadah, nada como escrever e botar tudo pra fora. E eu fico muito de coração quentinho saber que tu tem um cantinho na blogosfera agora. Amey. Beijos desse corvo aqui.

    ResponderExcluir